.
ou quem somos
"Esses
dias me botam pra baixo, Eu sei, Sabe, será que sabe mesmo, Acho que sim,
amor..., Nossa quanto tempo faz, quanto tempo, Quanto tempo o quê, Que não me
vem de amor..., me chamar assim, nossa, séculos, nem nas guerras, nem nas
pazes, nem nos mares, parece que me vejo perdida num deserto e num deserto de
mim, de mim mesma, sem meu eu, seu um eu para encher-me até a tampa, mesmo não
havendo tampa, Como não há tampa, eu sou a tampa, É, quem sabe, pode ser, Pode
ser, como assim, o que foi, Nada lindo, esquece, acho que é o tempo, esse céu
cinza, esse lar escuro, com cheiro de mofo, tão vazio de cor e cheio de sombras
largas e profundas, as vezes parece que me afogo nelas, que me perco dentro de
um mar de escuridão, Sou um ponto de luz nessa hora, É, pode ser, mas distante,
entende, Nossa, vive acabando com minha poesia, Por que nem tudo é literatura,
Nossa eu sei, como você pode, nossa... Nossa... como posso, como posso
erguer-me de manhã e olhar o céu, um céu como esse olhe, vê..., entende, Sim,
está feio mesmo, Nossa demais, parece que as corres escoaram durante a noite e
foram ralo abaixo em algum rio poluído da humanidade, Nossa como você fala
bonito, Bonito, É profundo, sei lá, parece que filosofa tudo, que tudo há porquês?
acho tão bonito, tão bom te ouvir, você me inspira, Inspirar, sei lá, parece
tudo tão perdido, não aguento ver o dia assim, Assim como, Morto, Morto, É
morto, fenecido, estiolado, como se uma foice tivesse rasgado a barriga da vida
e sugado toda a essência da humanidade, olhe as pessoas, olhe as pessoas, O que
tem as pessoas, Olhe para as vestes, olhe o que cobre seus corpos, olhe tudo
tão antigo, com cheiro de naftalina ou gosto do guardado, guarda-chuvas,
sobretudos, tudo tão escondido, Pronto, Pronto o que amor, A energia voltou,
Graças a Deus... a novela."
domingo, 3 de março de 2019
-
Categoria:
Crônica
-
1 comentários
-
Bom
dia,
Ontem
foi um sonho e anjos tocaram suas trombetas douradas no alvorecer... um sonho.
Entre
as copas das árvores e telhados das formosas campas raios de sol se deitavam em
uníssono estribilho. Um sonho.
Entre
os corredores da necrópole campas formosas, uma reunião eterna de silêncio e
reflexão de meus irmãos de ontem e de hoje.
Mausoléus
dos passos perdidos.
O
dia hoje despontou com as ruas molhadas pela chuva noturna, pena eu não a
ouvi... sei que caiu e com sua queda um cheiro de esperança, pois amanheceu
para mim.
O
poeta sussurra em meus ouvidos... "eu acredito" e eu também... o mês
de fevereiro pode partir com seu cheiro e sabor de morte. Sigamos... ainda
temos uma jornada rumo ao desconhecido.
Nossos
passos passados passam calados por tormentos, sofrimentos, perdas, saudades...
é a túnica que nos serve. Mas sigamos, viver é o caminhar e os passos pesados
dos elefantes, a trilha profunda que se arrasta de nós para o infinito.
Sigamos.
Viver
nos basta.
Vejo
pinturas em um enorme salão, todas assinadas por Ele, e D`ele e somente D`ele é
a autoria... retratos a óleo delicadamente perfeitos... pessoas que conheço,
que não conheço, dezenas de milhares...
mas não vejo a minha. O curador ainda não a desembrulhou de seu papel pardo...
não é a hora.
Viver
me basta.
É hora de perdoar, de esquecer a areia quente que engolimos, é hora de abrir os braços e pedir perdão.
Fiquem
bem, sejam fortes e somemos.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019
-
Categoria:
Crônica
-
0
comentários
-
Para Ângelo Simões
E aos meus alunos da 3ª Série do E. M. do
CSTA.
Um grande amigo, que por curiosidade tem o nome Ângelo, falou
comigo a respeito de uma de suas aulas de Gramática no colégio que trabalhamos,
curiosamente um colégio de freiras, e que tem como nome uma homenagem ao santo
Tomaz de Aquino... não sei se é curioso ou engraçado, se é que é possível dizer
isso. Mas o fato é que esse meu amigo, professor, falou com a turma a respeito
de um menininho, um bebê, Alfie Evans,
britânico, 1 ano e 10 meses de vida, e que infelizmente está acometido
de uma doença cruel e degenerativa, com isso Hospital e o Estado querem parar o
tratamento, que obviamente o levará a Morte, os pais (Chiquinho) lutam por mais
uma lufada de vida.
Fiquei pensando ao ler a matéria, que reproduzia
a defesa que o Papa Francisco havia feito no Twitter a respeito do caso, eu amo
o Papa Francisco, o mais pop dos papas, o mais fofo dos papas, o mais..., sei
lá... só de pensar que ele existe eu já sinto vontade de chorar, como se
acabasse de ler um poema, como se acabasse de ver um bom filme, ouvir uma linda
música, ou de me ver sozinho numa sala escura, ao som de música barroca, no ar
frio diante da tela de Bosh.
Esse preludio todo pode parecer inútil, mas não é...
essa criança veio ao mundo com uma missão, esse sofrimento todo surgiu com
algum propósito, e é obvio que não temos capacidade intelectual e espiritual
para discernir algo assim... o que dizer? Complicado. Contudo, há alguns anos
eu ouvi de minha filha a seguinte história. Alice, tinha na época uns cinco
anos, veio até a Me (tade) e eu, estávamos na sala, e nos disse o seguinte:
“Mamãe e Papai... (nesse momento tirei o som da
TV), quando eu estava no céu, eu era um anjinho (qual é o nome do professor de
Gramática mesmo?), fui até o papai do céu (qual o significado latto de Papa
mesmo?) e pedi a ele que me deixasse vir até vocês, para ser a filhinha de
vocês, cuidar de vocês... lá de cima sentia que vocês precisavam de mim. Daí
PAPAi do céu me perguntou se era isso mesmo que eu queria, deixar de ser anjo
para ser filhinha, e eu disse que sim... eu gostava de ficar voando lá em cima,
olhando para vocês, aí ele deixou e eu vim morar primeiro na barriga da mamãe.
Eu sempre ouvia o papai ler poesia pra mim, ouvir as músicas dele..., e eu
adorava chutar as costas dele quando vocês dormiam abraçadinhos...”
Meire e eu... ficamos estarrecidos, abraçamos a
pequena, ou pequeno Anjinho... e choramos.
Sabe... essa criança britânica que querem
desligar os aparelhos? Sabe essas pessoas que deixaram de ver a “Jiboia que
engoliu o elefante”? sabe esse adultos que não são mais capazes de ouvir os
anjos? Eles desligaram os ouvidos do coração e a frieza da existência congelou
suas veias... esse menino, esse anjinho, acredito eu, fez o mesmo pedido para o
PAPAi do céu... e foi morar primeiro na barriga daquela mamãe, que agora luta
para que ele possa viver uma hora a mais, um dia a mais, uma semana a mais, um
mês a mais, um ano a mais... uma vida a mais. Esse anjinho lindo, que
ironicamente foi defendido por um PAPA numa rede social (já parou para pensar
nisso?), veio a Terra para chutar as costas daquele pai... vê-lo sorrir,
beijá-lo, leva-lo à escola, levá-lo ao cinema, ao primeiro encontro,
acompanha-lo no parto do primeiro filho, primeiro neto...
Isso tudo por não acontecer quando um botão
passar do ON ao OFF em menos de segundos... segundos que poderiam dar asas a um
bebê, que preferiu deixar de viver com Deus para dividir sua existência com
pessoas tolas como nós... não sei se acha isso curioso, engraçado... mas uma
coisa eu digo... QUE VONTADE DE CHORAR.
Flávio Mello
09/04/2018
quinta-feira, 12 de abril de 2018
-
Categoria:
Crônica
-
0
comentários
-
Ouvir Paula
Fernandes e ler Tomás Antônio Gonzaga num lugar como Siqueira Campos faz de mim
um cara privilegiado, daí você lendo isso deve estar se perguntando: O que uma
coisa tem a ver com a outra? Bom..., talvez para você, grande crítico, nada..., mas
para mim ouvir SEIO DE MINAS é como que mergulhar nos veios de prata e ouro que
brotam da poesia de Gonzaga.
Em todo caso, se coloque no meu lugar... vivi
39 anos e meio da minha vida insalubre, envolto aos arranha-céus, arcos, viadutos
e paredões num sem-fim eterno, imagine você olhar para um céu/espelho que
reflete o cinza/chumbo de um asfalto doentio, some a isso o olhar vazio de um
sol tímido entre antenas e fios de alta-tensão.
O que mais
me doía era caminhar por uma infinidade de pessoas e me sentir sozinho, como no
metrô, na barriga de monstro de metal, sentado com meus fones de ouvido e meu
livro nas mãos, num erguer d’olhos perceber que 80% das pessoas ao meu redor
faziam o mesmo... como é triste se sentir sozinho ao lado de tantas pessoas.
Eu me
sentia num bote em mar aberto escrevendo cartas, as colocando em garrafas, e as
arremessando ao mar... um mar de concreto, e no fundo eu sabia – ninguém leria.
Minha alma
se sentia sufocada dentro de mim, eu podia ouvi-la gritar noites adentro, sem
parar, louca... até deixar a voz do meu coração rouca.
Gonzaga
estava no criado-mudo (o nome mais poético para um móvel), lembrei da música
SEIO DE MINAS da Paula, e o sentimento de Fugere Urbem me tomou por completo,
sim é verdade - eu amo PAULA FERNANDES, e sim eu amo Ana Maria Braga, desculpa, agora sim não há relação nenhum com o que quero falar...
O fato é
que cá estou, em Siqueira Campos e trabalho em Wenceslau Brás, num colégio de
freiras (que eu amo de paixão), todo SANTO dia eu me embriago com o céu desse
lugar, com os tons de verde desse lugar, são tantos tons que me sinto um
imbecil por não saber descrever, e voltando ao céu... ah o céu... parece um mar
infinito com grande navios de espuma, que navegam lentos e pesados como
elefantes cansados.
Tiro dezenas
de fotos (e mesmo com os moradores daqui rindo de mim) quero postar todas, mas
nunca sei que legenda colocar... esses dias fez frio, e uma névoa delicada caiu
sobre a estrada, como aqueles véus de mármores sobre mulheres sexys esculpidas
por mestres barrocos, foi tamanha beleza, que chorei... quase saí da estrada e me
deu uma vontade danada de parar o carro, ajoelhar e agradecer a Deus por ter me
presenteado às 6h com aquele banquete poético.
Hoje compreendo
quando Dirceu dizia para sua Marília... venha minha amada, vamos passear por
esses campos que parecem como você, ele não disse assim, tomei a liberdade de
adaptar, ele tinha uma bela Marília... eu tenho três, estou apaixonado por esse
lugar, aprendendo a tecer versos com a lã que tiro dessas nuvens, tingindo
minhas poesias com o verde desse lugar, bom... era isso... carpe diem.
Flávio
Mello
Siqueira
Campos, 02/04/2018
segunda-feira, 2 de abril de 2018
-
Categoria:
Crônica
-
1 comentários
-











